Todo amor que houver nessa vida
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 | Comentários
Faça qualquer coisa para se sentir melhor, nem que para isso tenha que rasgar alguns conceitos. Nem que para isso tenha que se expôr um pouco.
Dê a tapa à cara uma vez nem que seja.
Beba demais um dia só, deixe todos aqueles conceitos nas gavetas - eles estarão mais seguros lá- dance, dance até suar e, sem vergonha do que possam comentar.
Se sinta bela e, saia de casa convicta disso.
Per ca uma festa para estudar...
Faça qualquer coisa que te deixe feliz, não tenha medo de parecer brega dizendo que não usa drogas. E não o faça por modinhas, isso é só uma sensação passageira.
Como diria um louco ai: Algum remédio que me dê alegria...
Ame aqui e além! Se apaixone toda a semana, nem que seja pela mesma pessoa.
Não viva cada segundo como se fosse o ultimo, normalmente as pessoas se acabam com essa frase!
Porém, aproveite, aproveite cada segundo de uma sensação boa...
Saiba que isso pode durar algum tempo ou, tempo algum.
E mais que tudo, viva, viva das sensações boas, dos amigos, das paixonites, escreva músicas... seja o que você quiser!


Candy, candy, candy
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 | Comentários
Agora, na penumbra em que a casa se tornou após o fechamento das portas e janelas, consigo reorganizar meus pensamentos, não conseguindo acreditar ainda em tudo o que aconteceu.
Minha vida fora sempre uma rotina metódica, até há algumas horas atrás, e agora... bem, agora eu já não sei mais.
Não vou dormir hoje, não quero acordar amanhã e ter que por a cara à tapa, no trabalho, nas ruas frias e molhadas, só quero continuar aqui, sentada com as pernas cruzadas no chão; a vodka quente, o disco do Morphine tocando candy e, o som do sax deixando mais sóbrio o ambiente ou, o contrário. Não importa mais, as coisas perderam o sentido uma vez que, por uma paixonite de adolescência, causei tanta amargura. Amargura essa que permanecerá durante anos, na minha vida.
Seria covardia da minha parte se fizesse como ele, quando se tornou um mero mortal nas minhas mãos, quando o vidro da janela, do oitavo andar, ficou macio demais e partiu-se!
Quando os cacos caíram no chão, junto com seu corpo, e eu da janela espatifada... só observava aquela cena. Incrivelmente apavorante e ao mesmo tempo tão bela; os cacos, o sangue, o vazio... o vazio que ficou no meu peito, o vazio naquele apartamento, o cheiro dele impregnado nas minhas mãos, na minha cabeça.
Já está quase amanhecendo, e só agora levando do chão, desligo o toca-discos, saio de casa, pego o carro, na direção do mesmo apartamento do qual voltara atordoada horas atrás... chegando lá, olho a janela, o vazio todo, os cacos. Porém, o sangue sumiu, junto com ele, mas o cheiro... aaah, o cheiro, continua nas minhas mãos, o cheiro de lavanda incrivelmente suave. Me aproximo da janela, dou alguns passos à frente e, agora o único sangue que há ali é o meu, junto com o corpo, os cacos. E o cheiro de lavanda suave nas mãos.


Necessidade
sábado, 3 de janeiro de 2009 | Comentários
Olho pela janela, as folhas caídas não deixam dúvidas. O outono chegou, mais belo do que nunca.
Aquele friozinho típico da meia estação, que só passa com o café que trago às mãos, junto com o cigarro no canto da boca; verdade seja dita, tentei parar de fumar mais de uma vez, foi inútil, fico no máximo um mês sem o mesmo, mas quando passa esse tempo de recesso, a vontade vem em dobro.
Já me acostumei com a idéia de conviver com o vício por um longo período, dependendo de quanto tempo minha vitalidade durar.
Até acho muito interessante o sabor da mistura de café com cigarros, obviamente que um Bob Dylan ao fundo, embalando meus pensamentos. E, sempre que possível o faço, quando fico sozinha nesse apartamento, o que não é nada difícil.

Até prefiro, por vezes, ficar só, eu, meu café, o cigarro, a música; minha máquina de escrever continua em cima da mesinha, desde que a ganhara de um amigo...
Uso-a, não com a mesma freqüência que antigamente, porém, com o mesmo gosto e fascínio.
Já me interessei por diferentes coisas na vida, meninos, meninas, jogatina, dança, álcool, diversos trabalhos. Contudo, fico somente com a dança e o álcool, que não me abandonara ainda.
Já não com toda aquela virilidade, obviamente.
Penso em tudo que já passei, fitando, sempre, as folhas caídas no chão e, apreciando como se nunca o tivesse visto.
Quero dizer, cada outono é único, cada folha que cai é diferente, como um floco de neve, diferentemente perfeito.
Toda vez que sento-me aqui, defronte a máquina de escrever, penso em como era bom ter sempre coisas para dizer, confidenciar à ela.
E, o que me deixa mais angustiada, não posso deixar de sentir um grande orgulho de mim mesma, é que eu sempre me engano com os pensamentos, sempre tenho o que escrever, e provavelmente, sempre terei. Enquanto achar necessário o uso das palavras borradas no papél, enquanto achar inevitável o fazer... enquanto tudo isso acontecer, sempre terei o que escrever, mesmo que para isso, eu não tenha nada em mente.


Morbidez
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 | Comentários
Nunca pensei na dor que a perda de alguém tão próximo pode me causar... deve ser pelo fato de que, na minha família, desde que eu nasci, só duas pessoas realmente próximas nos deixaram.
Pensar nessa hipótese, agora, parece tão absurdo; não só parece como é!
É uma mudança que nunca me acostumarei, nem quero. Não é somente um ente querido, ela faz parte de mim, e sei que é recíproco, minha melhor amiga, além de tudo.
Não sei expôr sentimentos, não tenho jeito em chorar na frente dos outros, porém, quem sabe agora seja a hora de aprender.
Desabei do mesmo modo que um palácio quando perde seu alicerce.
Parece até ironia o tempo ter fechado do jeito que está, chove lá fora, os galhos batendo na janela só me dão a sensação de que um temporal se arma dentro de mim.
O tempo não fechou só la fora; aqui dentro desaba um temporal de tristezas e pensamentos.
Eu esperando sinceramente que tudo isso seja mentira... porém não sei até quando vou conviver com essa dúvida.
Não quero esperar muito tempo, mas talvez seja melhor. Não quero esperar pouco tempo, e ver que o que eu mais temia seja verdade.
Só quero a certeza de que ela vai passar mais um inverno comigo, me aquecendo, me alegrando, me irritando, como é de praxe.


A bondade natalina
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009 | Comentários
Festas de fim de ano, o amor e a felicidade transbordam ao olhos alheios. Todos dando uma boa impressão. Ninguém se importa se não dói ofuscar o que realmente sentem, não se importam em ter que parecerem babacas, rindo efusivamente para cada convidado que chega na festa natalina, ou de ano novo.
Apenas a aparência basta.
Acho Natal algo demasiadamente depressivo, juntamente com o Ano Novo (apesar de ser mais animado). Acho também que cada um deveria se isolar por uma semana em casa, sem receber visitas. Em uma ceia narcisista, só sua, totalmente egocêntrica.
Em que você poderia chorar sem ninguém saber, em que você poderia repensar em tudo o que aconteceu no ano, coisas boas, ruins e afins, isso tudo, sozinha! Afinal, são coisas particularmente suas.
São datas realmente bonitas, porém falsas. Durante aquela semana não há discussões em casa, ninguém nega esmola para mendigos. E as palavras em ênfase é a bondade!
Oh, como seria bom se todos fossem assim durante o resto do ano... essa bondade que reaviva os corações, essa falsa felicidade, mesmo que fosse verdadeira. É tudo tão artificial; o mundo de hoje se acostumou com isso, com a artificialidade. É tão mais fácil fingir estar gostando, do que reclamar, e fazer isso terminar em discussão...

Eu desejo que você tenha a quem amar, e quando estiver bem cansado, ainda exista amor pra recomeçar...


E é o que eu realmente desejo a vocês em 2009!


Quem sou eu?

Enquanto achar necessário o uso das palavras borradas no papel, enquanto achar inevitável o fazer... enquanto tudo isso acontecer, sempre terei o que escrever, mesmo que para isso, eu não tenha nada em mente.
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