Sentimento cortante e adorável
terça-feira, 25 de novembro de 2008 |
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Saudade sempre me veio à mente como um sentimento ruim, dilacerando por dentro, corroendo o organismo.Agora, vejo que não parece tão ruim assim, até prefiro sentir saudades às vezes.Machuca bastante, mas também fortalece a gente, nos obriga à suportá-la, e esperar ansiosamente que isso acabe. Com um beijo talvez, um abraço daquele melhor amigo, que você não vê há anos, um telefonema que seja... Por vezes não podemos acabar com ela, pois vai além da distância entre cidades, países... vai além da vida. Aí sim, se torna um sentimento péssimo, cortante, afiado, que cada vez parece aumentar, até que um dia, ele se ofusca, já faz parte da pessoa. Você aprende a ter uma certa paciência, um tal jeito para lidar com ele.Ele nunca morre, fica apenas escondido um pouco, esperando um deslize para aparecer, rasgando toda aquela estabilidade que demorou anos para se recompor, obviamente.Mas voltando à parte que saudade não é tão ruim assim....Nessa parte, saudade se torna algo saudável, até para um namoro, uma amizade que seja, você tem a necessidade de ver essa pessoa, abraçar ela forte, e ter a certeza de que ela está novamente ali. Sendo assim, não terá tempo para brigas e futilidades que, geralmente acabam com aquele sentimento bom que está acontecendo, naquele momento.Todas aquelas brigas e desentendimentos ficam para trás, posto de que a saudade está aflorada nessa hora. Não importa nada mais além de um abraço, daqueles que fazem tu esquecer todo o mal que tem lá fora, e lembrar que, novamente, você tem aquela pessoa ao seu lado.Aquela que fez tu passar dias, meses, ou anos... mas enfim, aquela que fez a saudade corroer você, dias a fio, dilacerar e, finalmente, te dar tanta felicidade no final.
Clichê
terça-feira, 18 de novembro de 2008 |
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Olhei para o relógio, impaciente, já era mais de meia noite e, ele ainda não chegara. E provavelmente, não chegaria... como das outras várias vezes que o convidei.Era o segundo maço de cigarro que estava fumando, contando as horas, pensando se seria certo ligar e perguntar o por que do atraso.Peguei o telefone, disquei o número, desliguei, não queria parecer chata, na verdade não queria que ele notasse que eu realmente estava afim de algo mais sério do que aquelas ficadas no fim de alguma festa.Nunca gostei de namoro, compromisso com alguém.., sempre prezei pela minha liberdade, poder beber, me acabar numa festa qualquer e não ter que dar satisfação para alguém. Não que isso tenha mudado, apenas quero um companheiro para se acabar comigo, ir até o chão fumando marlboro, com um copo de martini, assim, bem blasé.Rir depois, da noite anterior, compartilhar isso com alguém.Talvez fosse carência, nunca pensei assim, e agora ter alguém por perto parece tão reconfortante.Olhei mais uma vez o relógio, seu tic tac parecia paranóico e perseguidor. Já estava ficando aflita.Tomei mais um gole de vodka, mais um gole de coragem antes de telefonar. Então, alguém do outro lado atende, com a voz rouca e perdida:-Alô?Oi... sou eu, você não vai vir?-Ahh, desculpa... eu perdi a hora completamente, fiquei bebendo com uns amigos, acabei dormindo. Mas que horas são?Quase duas.-Vou me arrumar, daqui uns 20 minutos eu chego ai.Tá bom...Ouço o ruído que faz ao desligar o telefone e volto à sala, fico parada do lado da janela. A vista do 7º é encantadora, ao mesmo tempo perturbadora, claro.Acendo outro cigarro, sei que ele provavelmente não virá, como das outras vezes.. E esses 20 minutinhos se tornam horas, dias, semanas.Dessa vez, não me importo, quem sabe seja melhor a liberdade do que a espera por alguém que nunca virá.Uma hora depois, o interfone toca; não posso deixar de dizer que um friozinho percorreu minha barriga.Quem é?-Pizza quatro queijos, é aqui senhora?Ah, é sim, pode subir...Ao abrir a porta, surpresa vejo que aqueles 20 minutinhos hoje, levaram apenas uma hora de atraso.
Onde há beleza?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008 |
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Presto atenção à minha volta, posso sentir o cheiro da nova estação vindo.. o verão está no ar.Mas sem expectativas boas, acho ser esta a estação mais desprezível do ano. Podem me achar incoerente por pensar assim mas, realmente não vejo beleza nisso... Não tem onde não seja quente, não há banho que adiante, não temos vontade de fazer nada. Nem dormir pode.. mosquitos enlouquecem nessa época atras de comida. Aliás, os insetos num geral perdem o controle.Não posso generalizar tanto, claro; então tento ver algo positivo nisso tudo. Eis que acho uma centelha de beleza, lá no fundo, quase ofuscada pelo sol, que reluz incessantemente no céu durante todo o dia.Fica melhor para sair de noite, as mulheres usam roupas mais sensuais (só à noite ok), os homens até que ficam legais de bermudas e essas coisas.A noite no verão é bonita, mais estrelada, mais confortável que a do inverno, em que não se pode por o nariz para fora sem que um ar gélico percorra todo seu corpo, fazendo sua coluna tremer, congelando, por fim, nossas mãos.Creio que a estação mais interessante seja o outono, pena que aqui ela não seja diferenciada das outras... já que só há verão e inverno.Mesmo assim, folhas amarelas caindo pelo chão, aquele ar fresco, sem muito calor, sem muito frio... toda a proporção perfeita. O dia fica mais inspirador, agradável, confortável.Enfim, enquanto essa estação, a qual julgo ser a melhor, não se manifesta de tal forma que possamos sentí-la, continuo reclamando do verão e, achando-o descartável.
Hipocrisia
segunda-feira, 10 de novembro de 2008 |
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Cansei da estupidez das pessoas, cansei dessa ignorância... dessa falta de educação uns com os outros.
Da falta de carinho nas amizades, de respeito com o próximo, seja ele seu familiar ou não.
Cansei da falta de paciência que se têm com nossas mães e, com qualquer pessoa que tente se preocupar conosco.
O mundo anda estranho demais, as pessoas já não têm mais aquele respeito que tinham há uns 40 anos atrás.
Não se pode passar por uma rua, depois das 22 horas sem ser alvo das provocações daquela turminha que fica bebendo e esperando para zuar com os outros.
Não adianta, o povo está cada vez mais ignorante... nem pessoas com namorado se salvam.
Eles não se importam, mexem do mesmo jeito. Avacalham, provocam.
Final de festa então, nem se fala... fica aquela turminha meio barra pesada esperando algum troxa sair da festa para ir lá zuar com a cara dele.
Os alunos não têm educação para com os professores, muito menos com seus colegas.
Cansei dessa gente chata, sem cultura, sem educação, sem respeito. Cansei dessas amizades que surgem rápido demais, cansei dessas pessoas efusivas, que dizem te amo demais, riem demais, falam demais.
Cansei dessa gente que se esconde atrás de uma boa aparência, que posam de bons samaritanos, que critícam os outros. Cansei da falta de liberdade das escolhas alheias.
Quando as coisas saem de um padrão, um babaca vem e critica, diz que está errado daquele jeito.
Cansei de tanto preconceito... contra raças, homossexualidade, o jeito de se vestir; o preconceito em cima do poder aquisitivo das pessoas.
Enfim, cansei da falsidade que virou esse mundo, ou melhor, das pessoas que o fazem.
O paradoxo da fé
terça-feira, 4 de novembro de 2008 |
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Hoje, depois de algumas coisas, me veio a idéia de escrever sobre Deus... não sobre sua grandeza, sua bondade, e todos esses mitos que nós, meros mortais, impõem a respeito dele.
Fico pensando em tanta coisa ruim que acontece com as pessoas, muitas vezes sem elas merecerem, e me pergunto se realmente há um ser superior como Deus, magnífico assim.
Será que podemos atribuir a ele quando alguma coisa boa nos acontece? Já que quando acontece um tragédia, ninguém menciona seu nome... talvez um 'ah, Deus quis assim..'
Mesmo assim,especialmente hoje, vi que não posso confiar tanto nele.
Nunca fui uma pessoa que gostasse de ir na igreja, não fiz catequese, e não me arrependo disso, porém sempre antes de dormir rezava e agradecia pelo dia (sim, é verdade u.u).
Muitos acreditam existir um ser supremo, pois precisam acreditar em alguma coisa maior... a tal da fé.
Continuo achando que os ateus muitas vezes fazem isso para chamar atenção. É bom ter fé, é saudável acreditar que vamos para um lugar melhor (ou não).
Mesmo sem entenderem isso... mas, fico pensando, naquelas crianças, que dormem na rua, e penso também nos executivos, que por vezes roubam no trabalho só por 'diversão', e não merecem nada do que têm.
E elas, ficam lá, atiradas, morrendo de fome, literalmente. Eles no outro lado, reclamando da comida quem se tem em casa.
Deus nos dá a vida, e nós, fazemos com ela o que quisermos. Muito justo, não é?
Nós, seres humanos, nos matamos... bebemos demais, fumamos demais, nos drogamos. Sim, temos que morrer. Escolhemos o nosso caminho.
Mas, e aquelas pessoas que não podem escolher? Aquelas que já nascem com o destino traçado, na pobreza, na doença...
Atribui-se a quem isso? Provavelmente não a Deus.
Enfim, há rumores de que religião não se discute, não estenderei mais esse assunto.
Não recrimino o rapaz lá de cima, talvez ele também não tenha escolhido ter tantas responsabilidades...
Quem sou eu?
Enquanto achar necessário o uso das palavras borradas no papel, enquanto achar inevitável o fazer...
enquanto tudo isso acontecer, sempre terei o que escrever, mesmo que para isso, eu não tenha nada em mente.
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